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Parte IV E tanto sofrimento por estar, às vezes se nem saber, à cata de prazeres. Não sei como esperar que eles venham sozinhos. E é tão dramática, a busca que não vem sozinha é a de si mesma. Sinto uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum. É uma lucidez vazia, como explicar? Estou por assim dizer vendo claramente o vazio e nem entendo aquilo q entendo: pois estou definitivamente maior do que eu mesma. E não me alcanço. além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o infinito humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada a irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apaguei, pois minha flama, Deus (será que ainda lembra de mim?) porque ela não me serve para viver os dias. Ajuda-me a de novo construir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém. Suponhamos que eu seja uma pessoa forte, o que não é verdade. Suponhamos que ao tomar uma resolução eu a mantenha, o que não é verdade. Suponhamos que eu tenha o rosto sério que vislumbro de repente ao lavar as mãos, o que não é verdade. Suponhamos que as pessoas que eu amo são felizes, o que não é verdade. Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade. Suponhamos que eu finalmente esteja sorrindo logo hoje que não é dia de sorrir, o que não é verdade. Suponhamos que entre meus defeitos haja muitas qualidades, pensando bem acho que isso pode ser verdade. Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade. Era assim que antes eu tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendo então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiÊncia maior seria ser o âmago dos outros era eu. Talvez esse tenha cido o meu maior esforço de vida: Para compreender a minha não-inteligencia, o meu sentimento, fui obrigada a me tornar inteligente. - Postado por: Sam às 21h41 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Parte III Detesto lição de moral, pois quando percebo que a conversa está descambando para isso - outros, os moralistas, diriam "subindo para isso" - retraio-me toda, e uma rigidez muda me torna. Kuto contra. E estou piorando nesse sentido. Muitas vezes o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito se tem causas, são desconhecidas. E se têm consequências, são imprevísiveis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trbalaho, pelo amor, pelos prazeres, pela nossa vida diária enfim - que essa é toda paga, isto é, tem o seu preço. Tanta coisa que eu não sabia, nunca tinham me falado, principalmente sobre esse ritmo tão seco de viver, dessa martelada de poeira, que doeria tinham-me vagamente avisado, mas o que vem para minha esperança do horizonte, ao chegar perto se revela abrndo asas de águia sobre mim, isaso eu não sabia. Não sabia o que é ser sombreado por grandes asas abertas e ameaçadoras, um agudo bico de águia inclinando sobre mim e rindo, isso eu tive que saber sozinha.... - Postado por: Sam às 21h57 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Dúvidas parte II Há pessoas que tem vergonha de viver: são os tímidos. Desculpem, por exemplo, estar tomando lugar no espaço. Desculpe-me ser eu. Quero ficar só! Grita a alma do tímido que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas. O que faz então? Mas é que há a grande ousadia dos tímidos. E de repente cheio de audácia pelo aumento com um tom reivindicativo que parece contundente. Mas logo depois, espantado, sente-se mal, julga imerecido, fica todo infeliz e sofre com isso. - Postado por: Sam às 22h31 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas Um dia desses, ao ouvir um "Seja Você Mesma", de repente senti-me entre perplexa e desamparada... Mas percebi que eram perguntas maiores que eu. E assim venho apartir de hoje contar um pouco mais sobre mim. Posso começar com o título: E ASSIM SOU EU! Quando criança e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais. Porque eu sempre soube de coisas que nem eu mesma sei que sei. Meu instinto precedera a minha inteligência. Sou também o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que sou assim: vem-me uma déia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: as vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir com meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los? Há um perigo, se reflito de mais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais: nem sempre meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera. Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; como me disse uma amiga a meu respeito, são cóleras sagradas. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime; ás vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna. Uma vez ousaram me dizer que eu mais vegeto que vivo. Só porque levo uma vida um pouco retirada das luzes do palco. Logo eu, que vivo a vida no seu elemento puro. Tão em contato estou com o inefável, respiro profundamente e vivo muitas vidas. Não quero enumerar quantas vidas dos outros eu vivo, mas sinto-as todas. É mentira dizer que a gente não pode ser ajudada, sou ajudada pela mera presença de uma pessoa vivendo. - Postado por: Sam às 22h56 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]()
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